terça-feira, 21 de outubro de 2014

Da poesia que me invade - Luana H.


Senem lucta

Senem lucta

Doce, ela convida:
Vamos ao infinito?
Imploro por liberdade,
Digo que não.
E ela me segura,
Sufoca,
Com ásperas mãos

Sorrindo, propõe:
Vamos ao inferno?
Vocifero um palavrão,
Digo que não quero,
Mas ardo,
No mais perfeito sacrilégio

Tento correr e ela me agarra as pernas
Travamos uma luta vital e antiga
Sem cerimônia, me puxa os cabelos
E me faz entender
Que a morte pode-se enganar,
Mas não a vida.


Luana H.

Uma terra chamada Brasil

Uma terra chamada Brasil

Uma vez o poeta perguntou
Que país é esse?
Digo que é o país vendido
Feito prenda de quermesse

De um povo preto, índio, mestiço
Disseram que se chama Brasil
Consumindo seu povo feito brasa
Nada tem de gentil

Deram-lhe um belo nome
Uma nação varonil
De um povo com fome
A morrer no covil

Imbecil, civil, fuzil
Infantil, ardil, peitoril
Sutil, senhoril, vil
Pátria amada, Brasil

Luana Helena

Ode a Cassiano

Ode a Cassiano


O que diria Cassiano sobre tudo isso?
Que diria sobre as obras, sobre os viadutos
(diria algo sob eles?)
O que diria desse tédio absoluto?

Diria o quê sobre a ocupação,
Sobre a mobilidade?
Ao menos, perguntaria:
-Diverte-se na cidade?

Quais coisas diria sobre essa gente?
Sobre o caipira-cosmopolita.
De certo, aconselharia:
-Liberta-te de ti mesmo, parasita.

Ah, Ricardo,
Poderias fazer versos
Sobre esta tua mãe
Que anda aos tropeços

Poderíamos tropeçar junto dela
E sermos avessos,
Quem sabe um dia,
De nós mesmos.

Luana H.

AZUL CHUMBO


AZUL CHUMBO

Sinto o ponteiro das horas esmagar-me
E sob o céu azul, choro e penso.
Tento respirar fundo e lágrimas me bloqueiam a garganta. 
Furo o anil com os olhos e desejo que todos os anjos caiam. 
Não caem.

Cai a noite. 

Luana H.

CÉU DE MIM


CÉU DE MIM

O que vem depois do céu?
Depois do firmamento,
Do azul que levemente se sustenta?

O que vem, meu Deus?

Talvez não deva questionar,
Apenas pensar e sentir como a nuvem.
Sem forma, flutuo ao acaso,
Alva, misturada ao anil,
Me desfaço.

Vivo ao sabor do traço,
Passando,
Satisfaço.

Cercam-me de ideias e sonhos,
Imaginam-me bichos e objetos.
Pobres!
Mal sabem eles que nem eu mesma sei de mim...

Luana H.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Poema (i)(e O )mundo

Poema (i)(e O )mundo 

O mundo me quer:
Pronta,
Imediata,
Inteira.
Ele me exige:
Coisas,
Atitudes,
Ambições.
Acontece que eu não sou fragmentada, velho mundo, e não posso atender seus caprichos. Só para te contrariar, vou escrever em prosa o que você achou que seria um poema. Sim! Você não manda em mim e muito menos nos meus versos! Escrevo do começo ao fim da linha para não achares que é a ti que ofereço estas palavras. Linha por linha, palavra por palavra, letra por letra. Não vais achar espaço para ti nas minhas linhas, assim como muitas vezes eu não encontro espaço em seu circular e secular capricho para a minha pequena existência. Vou completar a vida com palavras para que você se coloque no seu lugar!

Luana H.

Escrevedor

Escrevedor 

Eu escrevo como se não carregasse nos ombros o peso de existir,
Como se não jogasse contra o tempo,
(Sangrento. Sedutor)

Eu escrevo como se minh'alma não se contorcesse em profunda dor,
Como se não existisse o mundo,
(Ingênuo jogador)

Eu escrevo como se acreditasse em minha existência,
Como se das palavras não sentisse o gosto,
(Angústia. Rancor)

Eu escrevo como quem encontra no castigo a redenção,
Encontra para a alma refrigério,
(Me liberto do escritor)

Luana H.


Fragilitatem

Fragilitatem

Efêmeras feras,
É fêmea que figura,
Faz a festa,
A mesura.

É fêmea,
Efêmera fuga,
Faz a vida,
E a fera não julga.

É fuga,
Ingênua luta,
Da vida, gêmea,
E sempre,
Efêmera.


Luana H.

Sintaxe amado

Sintaxe amado

Sujeito,
Teus objetos me confundem,
Teus adjuntos,
Ao meu amor se fundem.
Trazem indefinidas partículas,
De intenções suspeitas,
De formas ocultas,
Que a minha sintaxe não perscruta.

Diretamente, peço,
Deixe-se ser mais infinito
E esqueça esta besteira de definição
Venha ser, comigo, composto
Pois, para nós, não há explicação.


Luana H.

A voz do poeta ou um poeminha para Drummond

A voz do poeta ou um poeminha para Drummond

O poeta fala baixo.
Cansado,
Trêmulo,
Fraco.

O coração do poeta fala alto
Grita,
Explica,
Complica.

Os olhos do poeta não falam.
Expurgam,
Cultivam,
Suplicam.

O poeta não deve falar,
É a poesia quem dita o eixo
Quando recita, o poema implora:
Ô, poeta, fala baixo...

Luana H.


O amanhenascer da poesia

O amanhenascer da poesia



Nasço todas as manhãs
Trazendo comigo a poesia
A cada minuto uma palavra explode
E outra
E outra
E outra...

Logo meu corpo se torna um amontoado
Emaranhado
Abençoado
Ninho de palavras

E meu coração cresce!
Meus olhos se tornam letras que procuram
Procuram o quê, meu Deus?

Procuram o mundo
Procuram o poema, talvez,
Ou procuram a si mesmas

Meus braços crescem em palavras desconexas
E transformam-se em pernas
Pernas que abraçam o mundo
E explodem!

Explodem em áspera
Fina
E deliciosa poesia




Luana H.

A-mar-pousa

A-mar-pousa

Mari pousa o sorriso e ousa
A toa exibe sua pose,
Sua posse e sua poça.
Pode a mariposa
possuir o pouso?

O mar as ondas lança,
Em vão exibe sua força,
Sua prece e sua dança.
Pode o mar
possuir o amor?

Luana H.



Anseio

Anseio

Ouça minhas palavras
Elas são como pedaços de mim
Pode-se enxergar nelas as minhas veias
Pode-se ver claramente o meu sangue

Escuta-me
Pois sou pequena
E fraca.
Muito fraca

Preciso das palavras para me sentir forte
Preciso extrair delas a força que eu não tenho
Preciso me sentir totalmente exposta
Preciso saber que não estou só

Por mais que eu escreva,
Que eu grite,
Que eu chore,
A minha alma ainda é um mistério

Mas quando escrevo me sinto desprotegida,
E nisso me encontro
Preciso me sentir desprotegida para confessar
Toda a minha ânsia de existir

Luana H.

Luana H. por Luana H.

Boa noite, leitores e leitoras

Criei este blog para divulgar meus poemas, contos e também eventos realizados . Sou autora de dois livros infantis - Água de Sereia e Um Gigante de Estrelas - e também escrevo poesia.

Bem vindos ao meu mundo de palavras!



Luana H.